terça-feira, 19 de novembro de 2013


Nesta segunda-feira dia 18 de novembro de 2013, os alunos da Universidade Regional do Cariri (URCA) que estudam na Unidade Descentralizada de Campos Sales (UDCS), foram convocados para uma reunião na qual decidiriam questões sobre o inicio do período letivo. Quando enfim os professores chegaram à unidade, traziam consigo outros professores que lecionavam na sede da universidade, como também um aluno do curso de Direito. Iniciaram-se debates, nos quais os professores da UDCS não estavam inseridos (eles estavam reunidos em outra sala). A reunião com os alunos foi mediada pelos outros (professores e alunos da sede). Eles traziam uma proposta de paralisação das aulas, com base em reivindicações de melhorias estruturais e concursos para efetivação dos professores, mas os alunos posicionaram-se contrários à paralisação das aulas.

Não contentes com o posicionamento dos alunos, os membros favoráveis tentaram de muitas maneiras convencê-los, mas os estudantes mantiveram-se firmes em sua decisão, mesmo havendo uma minoria favorável (com motivos questionáveis). Alguns membros do corpo estudantil da unidade (alunos de Letras, Biologia e Matemática) discursaram em nome de todos os alunos contrários à greve, expondo seus motivos de maneira coerente. A unidade de Campos Sales nunca havia sido lembrada pelos alunos ou por membros administrativos da unidade central da URCA (esse foi o primeiro argumento). Nesse sentido, os alunos de Campos Sales acreditavam que aquelas pessoas não vieram com o real motivo de defender os interesses dos estudantes da UDCS, sim o de agregar pessoas em uma luta cujos possíveis benefícios não seriam compartilhados, se restringindo somente em benéfico das unidades centrais localizada nas sedes (Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha).

Seguindo o pensamento dos alunos e na falta de documentos comprobatórios sobre a extensão dos benefícios à unidade de Campos Sales, uma professora (Carol de Biologia) mostrou-se contraria à paralisação das aulas, sendo possivelmente uma das únicas que apoiaram a decisão dos alunos. Depois de muito debater o assunto, os professores resolveram se manifestar em favor da paralisação e contrários aos alunos, impondo assim uma paralisação forçada. Muitos alunos insatisfeitos retiraram-se do ambiente, outros ainda tentaram conversar com os professores e não se renderam.

Eu (Susana Narajara) estava entre os alunos que não aceitaram a paralisação e ao contrario do que disse uma das professoras presentes (Andreia de Letras - favorável a paralisação), tenho a mente aberta e sei o que é melhor para mim. Apoio totalmente as reivindicações, mas não apoio a paralisação das aulas, pois acredito que estrutura física é menos importante que estrutura intelectual. Tenho enfrentado dificuldades para me locomover até o prédio da universidade em Campos Sales, temos (nós alunos) enfrentado enumeras dificuldades para podermos enfim alcançar o termino da graduação, e sabemos o quanto uma paralisação nos prejudicaria nesse momento. Devemos sim brigar por melhorias, mas não defendendo os outros, sem garantia alguma para suprir nossas necessidades.

Os professores precisam de efetivação do emprego, nós alunos da construção de uma unidade efetivamente nossa, e sabemos disso professores, mas nesse momento precisamos estudar e acreditamos que isso é mais importante. Onde está a democracia? Lembro-me das aulas de história do Ensino Médio, as que falavam na ditadura e como um pequeno grupo de pessoas (os militares) oprimiram a vontade de todo um país e jugaram está corretos em suas atitudes, se impondo sobre a maioria (cidadãos brasileiros). Ontem me senti oprimida pela vontade de uma minoria de professores (ressalvo a professora Carol de Biologia – contraria ao restante dos professores), que não aceitaram a vontade de seus alunos e defenderam apenas seus próprios interesses (concurso e melhoria salarial). (Leia também o artigo - Ditadura ou Democracia?)




Os trechos acima foram extraídos do minidicionário Aurélio, provavelmente existem outras definições para esses regimes políticos, mas creio que as escolhidas são bastante apropriadas. Na ditadura temos o exercício do poder absoluto de comando e tomada de decisões nas mãos de um grupo ou minoria de pessoas. Na democracia, em tese, todos (a maioria) podem participar das tomadas de decisões, o poder é distribuído, não ficando apenas concentrado nas mãos da minoria. Na democracia as pessoas tem o poder absoluto e escolhem seus representantes.

Na ditadura as pessoas não têm voz (não são ouvidas), os ditadores acredita que sabe o que é melhor para todos, assim foram as ditaduras ocorridas em todo o mundo, na Itália (com o regime de Benito Mussolini), na Alemanha (com Adolf Hitler), na Rússia (Joseph Stalin), na Líbia (com o regime recente de Muammar al-Gaddafi), no Brasil (com a ditadura militar deflagrada em 1964), também em muitas monarquias e regimes ditatoriais religiosos.

Esse tema foi escolhido com o único intuito de descobrirmos o real sentido de nossas reivindicações. Muitas pessoas fazem protestos e paralisações no Brasil, mas algumas vezes nem conseguem definir um motivo ou uma reivindicação. Acreditar que todo protesto e luta sem razão é correto e valido, é um erro. Ir as ruas lutar simplesmente porque é bonito, justificando que estamos fazendo isso em nome do patriotismo e da cidadania, quando na verdade estamos apenas tentando mostrar que podemos ser revolucionários e temos nossa mente aberta (alimentando nossa vaidade), é uma hipocrisia generalizada. Uma luta só é valida quando não temos que provar nada a ninguém, não uma repetição da história com finalidades intimamente egoístas mascaradas de patriotismo, sem banalização e motivos fúteis.

Uma luta com motivos reais e nobres, essa é a definição das reivindicações (protestos e paralisações) que eu acredito, sem mecanismos me controlando. As revoluções acontecem na mente das pessoas que têm a capacidade de pensar diferente, e não as que pensam como as maiorias. O que eu acabo de observar pode até parecer contraditório, quando eu digo que a democracia é feita quando enxergamos as maiorias (povo brasileiro), mas acreditem as maiorias podem ser influenciadas (manipuladas). A revolução está na crença dos oprimidos, os que lutam muitas vezes sozinhos, os ideais não nascem do conjunto, mas sim da individualidade. Seguir as multidões nem sempre consiste em está certo, mas sim em está cego. Tenham personalidade, saibam pensar por si mesmos. Não deixem que os outros possam lhe influenciar tão facilmente.