Nesta segunda-feira dia 18 de novembro
de 2013, os alunos da Universidade Regional do Cariri (URCA) que estudam na
Unidade Descentralizada de Campos Sales (UDCS), foram convocados para uma reunião
na qual decidiriam questões sobre o inicio do período letivo. Quando enfim os professores
chegaram à unidade, traziam consigo outros professores que lecionavam na sede
da universidade, como também um aluno do curso de Direito. Iniciaram-se debates,
nos quais os professores da UDCS não estavam inseridos (eles estavam reunidos
em outra sala). A reunião com os alunos foi mediada pelos outros (professores e
alunos da sede). Eles traziam uma proposta de paralisação das aulas, com base
em reivindicações de melhorias estruturais e concursos para efetivação dos
professores, mas os alunos posicionaram-se contrários à paralisação das aulas.
Não contentes com o posicionamento dos
alunos, os membros favoráveis tentaram de muitas maneiras convencê-los, mas os
estudantes mantiveram-se firmes em sua decisão, mesmo havendo uma minoria favorável
(com motivos questionáveis). Alguns membros do corpo estudantil da unidade
(alunos de Letras, Biologia e Matemática) discursaram em nome de todos os
alunos contrários à greve, expondo seus motivos de maneira coerente. A unidade
de Campos Sales nunca havia sido lembrada pelos alunos ou por membros administrativos
da unidade central da URCA (esse foi o primeiro argumento). Nesse sentido, os
alunos de Campos Sales acreditavam que aquelas pessoas não vieram com o real
motivo de defender os interesses dos estudantes da UDCS, sim o de agregar
pessoas em uma luta cujos possíveis benefícios não seriam compartilhados, se
restringindo somente em benéfico das unidades centrais localizada nas sedes
(Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha).
Seguindo o pensamento dos alunos e na
falta de documentos comprobatórios sobre a extensão dos benefícios à unidade de
Campos Sales, uma professora (Carol de Biologia) mostrou-se contraria à paralisação das aulas, sendo possivelmente uma das únicas que apoiaram a decisão dos alunos. Depois de muito debater o assunto, os professores
resolveram se manifestar em favor da paralisação e contrários aos alunos,
impondo assim uma paralisação forçada. Muitos alunos insatisfeitos retiraram-se
do ambiente, outros ainda tentaram conversar com os professores e não se
renderam.
Eu (Susana Narajara) estava entre os
alunos que não aceitaram a paralisação e ao contrario do que disse uma das professoras presentes (Andreia de Letras - favorável a paralisação), tenho a mente aberta e sei o que é melhor para mim. Apoio totalmente as reivindicações, mas não apoio a paralisação das
aulas, pois acredito que estrutura física é menos importante que estrutura
intelectual. Tenho enfrentado dificuldades para me locomover até o prédio da
universidade em Campos Sales, temos (nós alunos) enfrentado enumeras
dificuldades para podermos enfim alcançar o termino da graduação, e sabemos o
quanto uma paralisação nos prejudicaria nesse momento. Devemos sim brigar por
melhorias, mas não defendendo os outros, sem garantia alguma para suprir nossas
necessidades.
Os professores precisam de efetivação
do emprego, nós alunos da construção de uma unidade efetivamente nossa, e sabemos
disso professores, mas nesse momento precisamos estudar e acreditamos que isso é
mais importante. Onde está a democracia? Lembro-me das aulas de história do
Ensino Médio, as que falavam na ditadura e como um pequeno grupo de pessoas (os
militares) oprimiram a vontade de todo um país e jugaram está corretos em suas
atitudes, se impondo sobre a maioria (cidadãos brasileiros). Ontem me senti
oprimida pela vontade de uma minoria de professores (ressalvo a professora
Carol de Biologia – contraria ao restante dos professores), que não aceitaram a
vontade de seus alunos e defenderam apenas seus próprios interesses (concurso e
melhoria salarial). (Leia também o artigo - Ditadura ou Democracia?)




